Oficina Artesanal “Flor da Agulha”

Para fazer frente à crise económica que atravessava o país, e à carência de oportunidades de trabalho feminino, 10 mulheres da Serra do Caldeirão, no Algarve, constituíram em 1986, a Oficina Artesanal Flor da Agulha. Estas artesãs começaram então a produzir as suas bonecas de juta. A perfeição com que são feitas, logo as tornou famosos. Outros artesãos da região, com elas colaboram no fabrico dos utensílios tradicionais que acompanham as bonecas.
As bonecas de juta são na sua maioria figuras femininas, inspiradas na vida da aldeia de Martinlongo, de tal forma que delas dizem as artesãs que são “bonecos que contam vidas”. Feitas de juta, mais conhecida por serapilheira, à excepção do esqueleto feito em arame, estas bonecas reproduzem em pormenor elementos do corpo e do modo de vestir das pessoas que lhes deram o nome. Exemplo: a Ti Zefa da Lenha é retratada com bengala e o corpo ligeiramente inclinado para a frente. Todas as bonecas têm a fazer de pé um apanhado na bainha do vestido, que lhes dá o dinamismo do movimento, e a cabeça é adornada com chapéus, lenços ou cabeços, sempre em fio de juta, apanhados em puxo. Muitas das bonecas empunham utensílios agrícolas ou domésticos que ajudam a identificar as actividades que representam.
Irmãos Ginga

De entre os vários artesãos que ainda produzem os célebres bonecos de Estremoz destacam-se os Irmãos Ginga. Oleiros de profissão, estes dois irmãos fazem o barro com que constroem as suas peças e as tintas com que as pintam. De uma perfeição extraordinária, estas são autênticas peças de colecção.
Irmãs Flores

Os bonecos das Irmãs Flores, têm um cariz mais popular, mais tosco, a forma não será tão perfeita como a dos Irmãos Ginja, mas a sua arte tem evoluído. Os seus bonecos, não se limitam a ser cópias dos existentes no museu. As formas têm adquirido mais movimento e ondulação e estas duas artesãs, com uma produção mais prolífera serão, provavelmente, das mais célebres de Estremoz.
Carlos Baraça
Filho de Ana Baraça, este barrista herdou da mãe a arte do figurado de Barcelos. É um dos reputados artesãos desta região minhota e os seus filhos acompanham-no na criação das peças.
Para alguns dos seus trabalhos – presépios, St. Antónios – utiliza unicamente o barro branco e vermelho, sem qualquer pintura; para outros – músicos, cucos e rouxinóis, coretos e santos – de acordo com a tradição, utiliza cores vivas: vermelhos, azuis, amarelos, verdes, rosas.
Júlia Ramalho
Reconhecida artesã do figurado de Barcelos, é hoje uma referência do Artesanato Português. Bem cedo aprendeu esta arte com sua avó Rosa Ramalho a quem auxiliava nos seus tempos de menina. Cresceu neste ambiente artístico de criação popular e tornou-se ela própria uma artesã independente e com personalidade marcante, a qual se reflecte profundamente nas suas obras.
Com uma experiência e mestria invejável desta técnica de modelação cerâmica, criou peças que a identificam pelas suas características únicas e onde liberta o seu imaginário; onde projecta os seus sonhos e as suas crenças, onde fustiga os seus pesadelos e os seus medos; entre o religioso e o profano modela personagens que a sua alma encontra nos seus sonhos.
As suas peças são modeladas em barro branco (faiança), tendo habitualmente um acabamento vidrado de cor castanho/mel que é também característico do seu trabalho. Muitas das obras desta artesã podem encontrar-se nas mãos de coleccionadores e apreciadores desta arte popular.
